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A formação reuniu profissionais de 9 países da América do Sul e contou com a participação dos routesetters internacionais, Tonde Katiyo e João Évora (foto: CBEscalada)
O Centro de Treinamento de Escalada do Parque Olímpico do Cajuru, em Curitiba, foi palco, entre os dias 13 e 16 de setembro, de uma semana dedicada ao desenvolvimento técnico da escalada esportiva sul-americana. Em uma iniciativa inédita no Brasil, a CBEscalada, em parceria com a World Climbing e com financiamento da Solidariedade Olímpica, realizou uma Clínica de Routesetters voltada a profissionais experientes indicados pelas confederações nacionais da América do Sul.
A programação combinou formação teórica, prática e troca de experiências entre os participantes. O objetivo foi fortalecer a capacidade técnica de setters de toda a América do Sul por meio de educação e treinamento prático, além de ampliar o intercâmbio de conhecimentos e contribuir para o desenvolvimento das estruturas competitivas da escalada no continente.
Mais do que aprimorar a atuação dos profissionais que criam os boulders, a clínica parte de uma visão ampla de desenvolvimento da modalidade. Para a World Climbing, elevar o nível da escalada competitiva na América do Sul passa também pela qualificação de quem está responsável por criar os desafios que os atletas enfrentam diariamente nos treinos e nas competições.
A formação reuniu profissionais de nove países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela) e contou com a participação dos routesetters Tonde Katiyo, da Austrália, e João Évora, de Portugal. Convidados para conduzir parte das atividades, os dois compartilharam conhecimentos e experiências acumuladas em diferentes cenários da escalada internacional, contribuindo para o intercâmbio técnico entre os profissionais da região.
Durante a Clínica, os participantes passaram por uma rotina que aproximou o conteúdo técnico da realidade encontrada em competições. Ao longo das atividades, foram criados e testados oito boulders, que posteriormente serviram como parte da preparação do Training Camp Internacional.
A presença de atletas foi fundamental nesse processo. Os boulders passaram por testes práticos, permitindo que os routesetters observassem diretamente como diferentes movimentos, dificuldades e soluções eram percebidos pelos escaladores.
"Uma das principais aprendizagens destacadas durante a formação foi justamente a necessidade de olhar para a via a partir da perspectiva de quem está escalando. A experiência também reforçou a importância da diversidade dentro das equipes de setting. Para os profissionais envolvidos, diferentes corpos, gêneros, alturas, experiências e formas de interpretar os movimentos ampliam as possibilidades na criação dos desafios apresentados aos atletas". comentou Sali Cimi, Routesetter da CBEscalada.
Numa lógica direta, para que os atletas sul-americanos possam competir em alto nível internacional, eles precisam ter acesso a treinamentos que os preparem para esse cenário. E os boulders são uma ferramenta essencial nesse processo. São eles que permitem aos atletas desenvolver habilidades, testar estratégias e entender diferentes estilos de escalada. Quanto mais qualificado for o trabalho dos setters, maior a possibilidade de criar desafios que estimulem esse desenvolvimento e aproximem os atletas das demandas encontradas nas grandes competições internacionais.
A clínica trouxe essa perspectiva. A partir da experiência e dos conhecimentos compartilhados pela World Climbing, os profissionais brasileiros e sul-americanos puderam ampliar o olhar sobre o que é desenvolvido em competições internacionais e entender, na prática, como diferentes conceitos são aplicados na criação dos problemas.
A Clínica de Setting também abriu caminho para uma segunda etapa da iniciativa: o Training Camp Juvenil Internacional, que aconteceu logo após a formação, reunindo jovens atletas de 12 a 18 anos.
Ao todo, 21 atletas brasileiros e 12 atletas de outros países da América do Sul, que tiveram contato justamente com os boulders construídos durante a Clínica. Dessa forma, o conhecimento trabalhado pelos routesetters foi colocado em prática imediatamente, em um ambiente de treinamento internacional.
Para a CBEscalada, a iniciativa representa uma ação de desenvolvimento que vai além da formação de atletas. Investir na qualificação dos profissionais responsáveis pela construção dos desafios é também investir na evolução do ambiente competitivo e na criação de melhores condições para o desenvolvimento da próxima geração.
No fim, o caminho passa por uma cadeia em que cada parte influencia a outra: setters mais preparados criam desafios melhores; desafios melhores ajudam a formar atletas mais completos; e atletas mais preparados elevam o nível da escalada em toda a região.
Ao reunir routesetters experientes, técnicos e jovens atletas de diferentes países, Curitiba se transformou, durante uma semana, em um espaço de intercâmbio técnico para a escalada sul-americana. A iniciativa reforçou a construção de uma rede regional de profissionais e atletas e amplia as oportunidades de troca entre os países, contribuindo para o fortalecimento da escalada esportiva no continente.
Publicado pela Plataforma SGE da Bigmidia - Gestão Esportiva com Tecnologia
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