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Centro de Treinamento Olímpico de Escalada no Parque Cajuru, em Curitiba, reunirá atletas de diversos países em uma competição de alto nível. (foto: Aline Machado)
Entre os atletas que disputarão a primeira edição do Pan-Americano de Escalada de Velocidade, nos dias 22 e 23 de agosto, no Centro de Treinamento Olímpico de Escalada do Paraná, dois nomes concentram as atenções do público brasileiro: Pedro Egg e Rachel Uezu, atuais recordistas nacionais da modalidade. Suas histórias, embora diferentes em ritmo e ponto de partida, mostram o momento de crescimento da escalada de velocidade no país.
O caminho de Pedro Egg até a Seleção Brasileira começou muito antes de a velocidade se tornar sua especialidade. Desde criança, o atleta teve contato com a montanha ao lado do primo, Caio Egg, também atleta da modalidade, em experiências de escalada na rocha, a chamada escalada de aventura, sem caráter competitivo.
A relação com o esporte ganhou outro rumo na sua adolescência, quando Pedro passou a escalar indoor, muitas vezes conciliando e até priorizando os treinos, durante a rotina escolar. O atleta deu os primeiros passos na competição, disputando o campeonato amador brasileiro antes de migrar para as categorias juvenis de guiada, até que, em 2023, um convite da confederação para competir em velocidade mudou o rumo de sua carreira. Para conseguir disputar o Pan-Americano daquele ano, ele precisava primeiro pontuar em uma etapa da Copa do Mundo. Sem patrocínio, organizou uma vaquinha e usou recursos próprios para viabilizar a viagem e conseguiu pontuar, garantindo a vaga que tanto queria.
A preparação, porém, não foi livre de obstáculos. Pouco antes do seu primeiro Pan-Americano, Pedro sofreu uma lesão no ombro. Optou por um trabalho intenso de fisioterapia em vez da cirurgia recomendada por especialistas, já que o procedimento o impediria de competir. Apesar das dúvidas sobre sua condição física, o atleta chegou à final da competição, sendo superado apenas por um dos melhores escaladores do mundo, resultado que, na época, marcou uma das melhores campanhas já realizadas por um atleta brasileiro na história da modalidade.
A partir dali, Pedro decidiu se especializar exclusivamente na escalada de velocidade e passou a idealizar iniciativas para o desenvolvimento da categoria no país, incluindo a criação do primeiro campeonato juvenil de escalada em velocidade no Brasil.
Em 2026, consolidou sua trajetória ao estabelecer o novo recorde brasileiro masculino, completando a via em 5,68 segundos durante a World Climbing Series, em Chamonix, na França. Marca histórica, que coloca o Brasil entre os países com atletas capazes de superar a barreira dos seis segundos na modalidade.
Se a trajetória de Pedro Egg na escalada de velocidade foi construída ao longo de anos de amadurecimento e especialização, a de Rachel Uezu impressiona pela rapidez com que ela se consolidou entre os principais nomes da modalidade. Com apenas 17 anos, a atleta protagoniza uma ascensão meteórica, resultado de uma adaptação rápida e de um desempenho consistente em uma das disciplinas mais explosivas da escalada esportiva.
Assim como muitos atletas brasileiros, Rachel iniciou sua trajetória ainda na infância, desenvolvendo suas habilidades nas modalidades de guiada e boulder. Foi apenas em janeiro deste ano que sua carreira tomou um novo rumo. Após receber um convite para integrar um projeto voltado à velocidade, a jovem passou a direcionar praticamente toda a sua preparação para a disciplina olímpica.
A evolução foi imediata. Em poucos meses, Rachel acumulou resultados expressivos nas competições nacionais e chegou ao Campeonato Brasileiro de Escalada Juvenil como uma das principais promessas da modalidade. Na decisão, confirmou o favoritismo ao conquistar a medalha de ouro e estabelecer o novo recorde brasileiro feminino, completando a via oficial de 15 metros em apenas 10,47 segundos.
O feito coloca Rachel entre os maiores destaques da nova geração da escalada brasileira e evidencia o potencial do país na modalidade. Sua rápida adaptação e evolução revelam uma geração que chega para elevar o nível da velocidade no Brasil.
A realização do primeiro Pan-Americano de Escalada de Velocidade da história em solo brasileiro nos dias 22 e 23 de agosto coloca Pedro Egg e Rachel Uezu diante de um cenário histórico: competir em casa, diante do público nacional. Para os dois atletas, o evento representa não apenas uma disputa esportiva, mas também uma oportunidade de consolidar o reconhecimento conquistado nos últimos meses e de inspirar novos praticantes da modalidade em todo o país.
Pedro Egg chega à competição animado com a dimensão que o evento pode alcançar para a modalidade no país. “Estou muito animado para o Pan-Americano. Sediar esse evento em casa vai trazer a escalada no Brasil para um outro nível de visibilidade ", afirma.
Para Rachel Uezu, que fará sua estreia em uma competição internacional, a expectativa vem acompanhada pela ansiedade natural de disputar um evento dessa dimensão aos 17 anos. “Falando a verdade, não sei o que esperar. É meu primeiro evento internacional e minha quarta competição de escalada de velocidade. Espero que eu não fique tão nervosa e que seja mais ou menos igual ao Brasileiro: que eu fique tranquila e que dê tudo certo”, conta.
As histórias de Pedro Egg e Rachel Uezu, ainda que percorridas em ritmos distintos, refletem o momento de expansão da escalada de velocidade no Brasil. Enquanto Pedro representa o resultado de um processo de longo prazo, marcado por superação e dedicação exclusiva à modalidade, Rachel simboliza a velocidade com que uma nova geração de atletas tem se destacado, aproveitando a estrutura e a visibilidade crescente viabilizada por quem veio antes no esporte.
Ambos os casos reforçam o papel importante de competições como o Pan-Americano de Escalada de Velocidade na formação e no fortalecimento do calendário nacional, consolidando o Brasil como um país cada vez mais competitivo internacionalmente na modalidade.
Publicado pela Plataforma SGE da Bigmidia - Gestão Esportiva com Tecnologia
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